O Livro Que Nunca Existiu (III)
Essa minha mania de ler e reler, buscando o subtexto, a parte submersa do iceberg de Hemingway.
SSS 1:1 — “Raciel muitos de nós também tem escrito um livro invisível, um livro cujos originais são escritos na imaginação.”
— Sydnei Schead dos Santos, Itajaí (SC)
Eu não estava mais solitariamente lendo O Livro Que Nunca Existiu.
Sydnei havia reconhecido que muitos de nós carregamos livros invisíveis na imaginação. E eu sequer tinha mergulhado no invisível de suas palavras quando li algo ainda mais provocador:
LC 1:1 — “De qualquer maneira já existe Raciel.”
— Luiz Cidral, Itajaí (SC)
Dois leitores começaram a conversar sobre a existência do livro sem jamais terem visto uma única página!
E o mais interessante: Luiz não disse que o livro poderia existir. Ele afirmava: O Livro Que Nunca Existiu já existe.
Isso confrontava diretamente a minha premissa. Para Luiz, aparentemente, a concepção e a manifestação pública da ideia já seriam suficientes para conferir existência à obra.
Bem, foi a minha leitura… E, a partir dela, emergiam três posições: na primeira, eu refletia que publicar o livro significaria destruir sua condição de inexistência; na segunda, Sydnei sugeria que um livro poderia existir na imaginação, sem jamais ser materializado; e, na terceira, Luiz entendia que o livro já existia, independentemente de sua publicação.
Não eram necessariamente interpretações incompatíveis. Mas começava a se construir uma discussão que ultrapassava o texto original.
Respondi:
— Luiz, e agora? Se o livro já existe, como vou continuar escrevendo sobre sua inexistência?
Sobre O Livro Que Nunca Existiu
Coautores: Raciel Gonçalves Junior, Sydnei Schead e Luiz Cidral
BBS, 25 de outubro de 2026.